28 de abr de 2011

A PALMEIRA JUÇARA ! ! !











A palmeira Juçara (Euterpe edulis – Arecaceae) é uma espécie de extrema importância para a biodiversidade da Mata Atlântica. Seus frutos servem de alimento para mais de 70 espécies de animais e aves, sendo considerada espécie chave para a conservação de florestas no Bioma. O alto valor comercial do palmito faz dele um dos produtos florestais mais explorados há séculos,  e para sua obtenção é necessário o corte da palmeira. Devido ao extrativismo predatório e ilegal do palmito, a planta é cortada antes mesmo de se reproduzir, causando um grande impacto na regeneração natural. Hoje, a espécie passa por um momento crítico pela expressiva redução de suas populações naturais e está incluída na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (MMA, 2008).

A escolha da Palmeira Juçara aliada à dispersão de sementes, presença de avifauna e condições específicas (umidade, sombra e calor) para sua ocorrência, promove, junto com ela, a preservação e ampliação de seu habitat natural, a Mata Atlântica. A preservação e recuperação deste bioma asseguram o seu papel ecológico de regulação do fluxo dos mananciais, manutenção da fertilidade do solo, fixação de carbono, proteção das encostas das serras e alta variabilidade genética.



O PROJETO



O Projeto Juçara se fundamenta na divulgação e expansão da utilização dos frutos da palmeira juçara para produção de polpa alimentar e seu uso na culinária; consolidação de sua cadeia produtiva, por meio da difusão do manejo sustentável da juçara para geração de renda, associada a atividades de recuperação da espécie e da Mata Atlântica; e a reconversão produtiva de áreas, contribuindo com a fixação de carbono.

É fruto da construção conjunta com as comunidades rurais e tradicionais onde as instituições atuam, com apoio de parceiros locais, sendo elas foco deste projeto. O projeto tem objetivos de consolidação, recuperação e monitoramento da espécie, utilizando metodologias participativas e articulação em rede que envolve outras instituições em diversos estados brasileiros, além de diversas ações de divulgação e comunicação do projeto e seus resultados.


A metodologia proposta procura estimular a participação das comunidades e agricultores em todas as etapas dos projetos e dos empreendimentos, para que possuam uma visão completa de todas as fases da cadeia produtiva. Procura-se garantir as atividades produtivas e extrativistas tradicionais problematizando as realidades de conservação dos recursos naturais, dos mercados, do planejamento, das formas de organização e de associativismo e da contabilidade das atividades e dos resultados. Procura-se estabelecer uma visão sistêmica dos seus empreendimentos, subdivididos em 3 segmentos: a produção de matérias primas; a transformação dos produtos; e a comercialização.

O Projeto Juçara, proposto pelo IPEMA (Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica) em parceria com AKARUI – Associação para Cultura, Cidadania e Meio Ambiente, será realizado nos municípios de Ubatuba, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra, que integram áreas do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), nos Núcleos Picinguaba e Santa Virgínia.

Na região do Núcleo Picinguaba os participantes são predominantemente comunidades tradicionais (quilombolas e caiçaras). Na área do Núcleo Santa Virginia os participantes são predominantemente proprietários rurais (agricultores familiares, propriedades de veraneio, fazendas produtivas). O conjunto compõe a quase totalidade de situações de relações do Parque com seu entorno.


Para a concretização das ações propostas, além da parceria estreita com as comunidades, tem como parceiros: a Fundação Florestal, através da UC do Parque Estadual Serra do Mar; da Universidade de Taubaté (UNITAU), na pesquisa de fixação de carbono da espécie; das Prefeituras de Ubatuba e São Luiz do Paraitinga, entre outros que de diversas formas contribuem para o sucesso da iniciativa.



Processamento das sementes


As sementes recolhidas após o processo de despolpa são lavadas para a retirada total do bagaço e colocadas para secar lentamente à sombra, sendo classificadas como “comuns” e “matrizes”. As sementes comuns são provenientes de palmeiras regulares, sem características especiais. Já as sementes de matrizes são colhidas em palmeiras que se diferenciam das outras por estarem visualmente livres de doenças, possuírem estipe reta e vigorosa, grande número de cachos, cachos grandes e frutos bem carnosos. Além disso, as matrizes devem se distanciar no mínimo 30 metros de outras matrizes. Seguindo este processo, as sementes são consideradas um importante produto do manejo dos frutos, sendo destinadas ao repovoamento da espécie.

 

 


 

 

Depois de beneficiadas, elas podem ser colocadas para germinar em sementeiras (caixas contendo matéria orgânica e areia), em saquinhos de mudas ou semeadas diretamente no local definitivo, podendo ser a lanço ou enterradas superficialmente (enterrio).



Devido à facilidade de germinação das sementes, a semeadura a lanço é a técnica mais aconselhada para se fazer o repovoamento para fins Ecológicos em Zonas de Recuperação e trilhas de acesso em Unidades de Conservação e capoeiras, manejadas ou não, proporcionando a oferta de alimentos para a fauna e a conservação do bioma.



Já o enterrio de sementes e o plantio de mudas, de raiz nua ou não, são as técnicas empregadas para fazer o repovoamento para fins Ecológico-Econômicos em áreas de agricultores familiares, comunidades tradicionais e aldeias indígenas. Estas técnicas permitem “escolher” o local onde serão colocadas as palmeiras com o intuito de facilitar a colheita dos frutos e não prejudicar as outras culturas presentes. A inserção da palmeira Juçara em bananais tradicionais e agroflorestas e o consórcio com outras frutíferas como cambuci, bacupari, araçá, cambucá, grumixama, pitanga, pupunha e jambo, são propostas de manejo que se mostram altamente produtivas em comparação com o manejo em capoeiras. Deve-se dar preferência para as sementes de palmeiras matrizes para os plantios ecológico-econômicos, buscando maior produção e qualidade dos produtos.



Assim as sementes representam uma importante ferramenta para o planejamento da propriedade familiar, além de garantir o uso do território e agregar valor à cadeia de produção da polpa da juçara.



Fonte : http://www.projetojucara.org.br/

organizado por: Rogério Nogueira " Sammy"

24 de abr de 2011

O Australiano Parko vence a etapa comemorativa dos 50 anos de Bells Beach e reserva ecologica é fechada para contenção de multidão...

Joel Parkinson vence em Bells. Foto: © ASP / Robertson.



23 de abril – BELLS BEACH, Victoria/Austrália – O australiano Joel Parkinson é o campeão do Rip Curl Pro 2011, segunda etapa do ASP World Tour encerrada neste domingo em Bells Beach, Austrália. Esta foi uma edição especial do evento, que comemora 50 anos de história.

As tradicionais direitas do pico bombaram o dia todo e ofereceram paredes sólidas com até 2,5 metros nas melhores séries, para delírio da multidão que lotou as arquibancadas naturais do pico para assistir uma decisão entre dois australianos.

O público foi tanto, que por volta das 11 horas da manhã o acesso à reserva ecológica estadual "Bells Beach Surfing Reserve" teve que ser fechado pelas autoridades locais, por não suportas mais veículos.

"É incrível! Não só por ter ganho o evento, mas por ser a edição comemorativa de 50 anos, que deixa a conquista muito mais especial e também tivemos altas ondas. Nem me lembro da última vez que Bells quebrou tão bom no campeonato. Estou muito empolgado, nem posso acreditar em tudo isso", comemora o campeão.

Para vencer, Parko derrotou o compatriota Mick Fanning por 18.53 a 13.26 em frente à multidão na final do evento e não deixou dúvidas ao deixá-lo em combinação, precisando trocar duas notas para reverter o resultado.

Para fechar com chave de ouro, o campeão do evento ainda arrumou um belo tubo e na sequência destruiu a parede com expressivas rasgadas, que lhe renderam nota 10, a única do campeonato.

Definitivamente sinto que estou de volta e surfando melhor do que em 2009, antes de contundir meu tornozelo. Estou me sentindo em forma e estou com boas pranchas. Estou muito animado para o resto da temporada", finliza Parko.

Adriano de Souza foi o brasileiro mais bem colocado na prova. O surfista do Guarujá terminou em terceiro lugar, depois de ser eliminado pelo campeão do evento na semifinal.

Com excelentes atuações no decorrer da prova, o guarujaense teve seu ponto alto nas quartas-de-final, quando eliminou o dez vezes campeão mundial Kelly Slater.


"Encontrei meu ritmo na bateria contra o Slater, mas contra o Joel não consegui encontrar nenhuma onda. Me sinto frustrado, porque eu queria tocar o sino, mas estou realmente feliz com meu resultado. Kelly é meu herói e dez vezes campeão mundial. Ele não conseguiu encontrar as ondas e o mesmo aconteceu comigo no round seguinte contra o Parko. Acontece com todos. A próxima prova acontece em casa e espero que os brasileiros estejam orgulhosos com a minha atuação e a do Jadson neste evento", comenta Adriano de Souza.

A próximo parada do ASP World Tour acontece no Brasil, com janela para realização entre os dias 11 e 22 de maio.


Resultado do Rip Curl Bells Beach 2011

1 Joel Parkinson (Aus)

2 Mick Fanning (Aus)

3 Adriano de Souza (Bra)

3 Jordy Smith (Afr)

5 Owen Wright (Aus)

5 Kelly Slater (EUA)

5 Chris Davidson(Aus)

5 Jadson André (Bra)

13 Heitor Alves (Bra)

13 Alejo Muniz (Bra)

25 Gabriel Medina (Bra)

25 Raoni Monteiro (Bra)

Raking do ASP World Tour depois de duas etapas

1 Kelly Slater (EUA) - 15.200 pontos

2 Joel Parkinson (Aus) - 14.000

3 Jordy Smith (Afr) - 13.000

4 Adriano de Souza (Bra) - 10.500

4 Tiago Pires (Bra) - 10.500

7 Taj Burrow (Aus) - 8.500

8 Michel Bourez (Tah) - 8.000

9 Alejo Muniz (Bra) - 6.950

9 Jadson André (Bra) - 6.950

9 Matt Wilkinson (Aus) - 6.950

9 Owen Wright (Aus) - 6.950

19 Heitor Alves (Bra)

33 Raoni Monteiro (Bra)


Fonte texto Fernando Iesca - waves.com.br



23 de abr de 2011

Caronas sustentaveis ...

CARONETAS é uma ferramenta de caronas que facilita a vida de quem quer buscar ou dar uma carona, integrando, de forma segura, pessoas de uma mesma empresa ou de um grupo de empresas.

http://www.caronetas.com.br/



Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas e colaborar com o meio ambiente, o site CARONETAS aposta em ferramentas online, serviços grátis e segurança para emplacar a idéia de carona corporativa. Apesar de algumas iniciativas que vem surgindo nesse sentido, a carona é ainda uma ação rara em São Paulo. A cidade tem 7 milhões de veículos circulando diariamente e habitantes que passam em média quase 3 horas no trajeto casa-trabalho.

A meta da empresa é conseguir retirar, até o fim do ano, 100 mil carros das ruas de São Paulo. Participar é simples e o processo leva menos de um minuto. Basta entrar no site e preencher um formulário com nome, empresa, e-mail e CEP.

Caso a empresa do novo usuário esteja cadastrada, a autenticação como colaborador é feita pelo e-mail corporativo (nome@empresa.com.br) ou, caso não tenha, pelo responsável da própria empresa. Depois de autenticado, ele já começa a receber e-mails de possíveis caronas e tem acesso a seções exclusivas no site.

17 de abr de 2011

Virada Cultural 2011 , Steel Pulse fecha o evento com concientização ambiental...


A Virada Cultural espalhou atividades por várias regiões de São Paulo que se estendeu durante todo o sábado e até as 19:00 hs de domingo .

Se a proposta era desafiar a população a uma overdose de cultura, o objetivo foi atingido.


O mega evento reuniu, um público de mais de 3 milhões de pessoas que circularam entre os palcos instalados em pontos estratégicos do centro da cidade.

Entre as atrações internacionais, estiveram presentes as bandas norte-americanas Misfits e P.O.D., além de Armando Manzanero, Steel Pulse, Edgar Winter, Straightjackets, Skatalites e Fred Wesley and the New JBs.

A equipe do G.R.U.T.A (Grupo Universitário de Tecnólogos Ambientais) e o Blog HARDWORLD foram conferir a virada cultural e colocaram em destaque o show da banda de reggae Inglesa o STEEL PULSE....



15 de abr de 2011

Abril é o mês do Jazz nos Estado Unidos !!!

O mês de abril nos Estados Unidos é comemorado por muitos músicos, colégios, faculdades, bibliotecas, salas de concerto, museus, estações de rádio e televisão como Mês de Apreciação do Jazz.


O Mês de Apreciação do Jazz é uma iniciativa do Museu Nacional da História Americana do Instituto Smithsoniano para chamar a atenção do público para as glórias do jazz como um tesouro tanto histórico quanto de vida.

O Mês de Apreciação do Jazz 2011 – o 10o aniversário – examina o legado das mulheres do jazz e de seus defensores, que ajudaram a transformar as relações sociais, de raça e gênero nos EUA na busca pela construção de uma nação mais justa e igualitária. As International Sweethearts of Rhythm, criada em 1937 na Escola Piney Woods no Mississippi, será o foco do do lançamento de sessões de jazz. As International Sweethearts of Rhythm ganharam reconhecimento mundial como a primeira grande banda feminina integrada.
Criada em 1937 na Escola Piney Woods, as participantes da banda eram estudantes, de 14 anos e mais, que pagaram por sua educação fazendo apresentações como banda de jazz para ajudar a promover e manter a escola que passava por problemas financeiros. Viajando por todo o país em um ônibus de turismo personalizado, chamado Big Bertha, as Sweethearts se apresentaram em igrejas, feiras estaduais, salões de baile e cívicos e mais tarde em locais de entretenimento como o Teatro Howard e o Apollo, com recordes de bilheteria.

As Sweethearts sofreram duplo preconceito, de gênero e de raça, e fizeram sucesso durante um período da história em que muitos negros sulistas viviam numa escravidão sem correntes e as mulheres eram cidadãs de segunda classe.

A banda tocou nos concursos Battle of the Band competindo com bandas lideradas por Fletcher Henderson e Earl Fatha Hines, driblou a Jim Crow South (legislação americana que pregava a segregação racial) com as participantes brancas da banda disfarçadas de minorias e viajou ao exterior para as atividades da USO (organização que leva aos campos de batalha atividades de entretenimento para animar as tropas americanas) durante a II Guerra Mundial, quando as apresentações integradas eram um tabu. As participantes originais da banda saíram de uma escola com legado de excelência e superação de dificuldades.

Saiba mais sobre jazz no site do Smithsonian dedicado às artes: http://www.smithsonianjazz.org/
Fonte: Embaixada Missão Diplomatica dos Estados Unidos No Brasil


14 de abr de 2011

A GRANDE FESTA DE ENCERRAMENTO DO ESPAÇO IMPRÓPRIO!


O fim!

É COM IMENSA ALEGRIA QUE CONVIDAMOS VOCÊ PARA A GRANDE FESTA DE ENCERRAMENTO DO ESPAÇO IMPRÓPRIO!

O Impróprio é um espaço (Anti)Cultural, autogestionário e anti-hierárquico que começou em junho de 2003. Localizado no Centro de São Paulo, o espaço vem oferecendo eventos com shows, palestras, debates, oficinas, vídeos, uma biblioteca, estúdio, lanchonete vegan e um bar.

Durante os dias 22, 23 e 24 de abril de 2011, estaremos encerrando as atividades do Espaço Impróprio organizando uma grande festa. A ideia é juntar debates, palestras, shows, oficinas, exposições e performances de grupos independentes, que serão apresentados no próprio espaço, mas desta vez ocupando todos os 03 pisos da casa. Serão 3 dias de atividades, das 10h à 0h, totalizando 42 horas de programação. Durante todo evento serão servidas refeições veganas (sem nenhum produto de origem animal).
O CICLO SE FECHOU.

Foram oito anos de existência. Oito anos tentando, trocando de pessoas, reformando e construindo. Foram anos de muito trabalho, anos de muitas alegrias, tristezas, angústias, tensões, conversas e longas reuniões. Muitas vezes estávamos aqui com o coração batendo a mil por hora, correndo de um lado para o outro, arrumando o som, fazendo comida, trocando ideia, conhecendo as pessoas, nos apaixonando. Muitas coisas boas apareceram por aqui, conhecemos pessoas do mundo todo, gente que com certeza nunca conheceríamos. Aprendemos, ensinamos e trocamos experiências. E sabemos que todos que um dia passaram por aqui sentiram algo desse tipo, ou pelo menos parecido com todos esses sentimentos intensos.

Mas durante todos esses anos algo muito maior nos aprisionou. Uma cultura que nos engole. O capitalismo que nos cerca por todos os lados. Um estilo de vida que não se sustenta. Falta de estrutura, dívidas, discussões, falta de tempo, desânimo e o que pra gente é a nossa maior contradição: a dura necessidade de fazer o que você não quer para continuar de pé. Anos e anos tentando sobreviver e a impressão que restou é de um futuro condenado a ser a repetição do passado. Há muito tempo estamos sendo sustentados pelo nosso próprio eixo, pelo puro fluxo e rotação dos acontecimentos. Não há um ponto central porque não há questão de vontade, mas apenas obediência de fluxo.

Já não conseguimos cumprir nossa proposta há muito tempo. Nosso prazer e satisfação de unir as pessoas, construir redes, debater, aprender e ensinar já não está mais sob nosso controle. O prazer se transformou em trabalho e isso já não é uma escolha consciente para nós, pelo contrário, surgiu repentinamente como o resultado da competição e da rotina capitalista.

Sabemos que aqui não vamos encontrar novas maneiras para seguir em frente mais uma vez. Não sem um mínimo prazer de olhar para trás ou para frente inspirados e convencidos de que era realmente por isso que lutávamos todos os dias.

No começo nossa intenção era fazer o espaço andar sozinho, com uma energia auto suficiente baseada em responsabilidade individual, cooperação voluntária, participação no processo de decisões e felicidade. Uma organização descentralizada onde todos poderiam ser úteis para si próprios e para os outros. Como todos, tínhamos muitos projetos e aqui nossas ansiedades nunca foram saciadas. Queríamos seguir nossas ambições individuais, deixando uma estrutura estável e ajudando o todo na manutenção, para ali conseguir construir uma rotina coletiva que fosse criativa, espontânea e que carregasse em si a semente de alguma boa aventura.

Parecia fácil pra gente armazenar entre nosso grande grupo de afinidade uma energia desse tipo. Uma que suprisse as simples necessidades do espaço e dividisse de uma maneira justa e harmônica um compromisso de gerir a estrutura que pela prática se mostrou ser de interesse mútuo.

Foi dai que aos poucos esse conceito e essa concepção de atividade criativa caiu. Nós queríamos tanto ver nosso esforço sendo compreendido e assimilado pelos nossxs amigxs e aliadxs, que sem perceber negligenciávamos a nós mesmxs e um ao outro. Sacrificando quase por completo o que mais tínhamos de valioso: a nossa paixão!

E é com extrema tristeza que palpitamos que muitos dos que passaram por nós deixaram vazar essa riqueza inigualável. É difícil explicar, mas nós tínhamos uma vida. E por nós passaram tantas pessoas que não tinham as suas, pessoas carentes querendo viver a nossa vida, ou só o pedaço que lhes interessava. Sem oferecer nada em troca e contribuição nenhuma. O que era tido como uma dádiva coletiva, logo passou a ser um recurso público para essas pessoas usarem ao seu bel prazer… e sem vida elas o fizeram, como tratores.


Muito do que éramos morreu. Para nós ateus, quando algo morre não nos resta muita coisa, só o amor e a paixão. Essa percepção é delicada pois se em algum momento de tormento se perde a lucidez, nossa força matriz se extingue. Pois é preciso auto controle, auto conhecimento e amor próprio. A paixão é o combustível para nós que temos tão poucas crenças.

Nossa lucidez de saber parar por aqui é dor. Mas é também o único prazer que podemos conhecer. É a única coisa que agora pode ter semelhança com a alegria. É da exaustão ao silêncio do simples estar, do silêncio da compreensão que os anos se foram. Ainda ao perceber o que há de bonito no que o tempo não esmagou, nos dedicamos aos amigxs que muitas vezes sonharam, sofreram e sorriram junto conosco, nos esforços e no ganho que foi ver tantas vezes o que acreditamos e achamos justo sendo feito. E com que garra!

Então, se somos todxs prostitutas culturais,
este é o meu sexo.
estuprado,
sangrado,

deixado de lado.

e se a vida é feita de contradições…
isto é uma espada,

uma pena,
uma carta bomba de efeito moral.
um triângulo de 4 lados,

de soma certa e resultado errado.

cada palavra contradizendo a anterior
contradizendo a anterior

contradizendo a anterior

uma ânsia que nunca acaba

um desejo parcialmente satisfeito

uma vida que não foi.


uma vida que busca ainda ser!!!

Tentamos, e foi com unhas e dentes, entre trancos e barrancos. Batemos a cabeça na parede, nos machucamos, machucamos os outros também, mas o que tínhamos a perder era valioso demais. E viver a vida, continuar dia após dia, pensar sempre que estamos perdendo [e o pior, se acostumar a isso...], enriquecer um grupo privilegiado, tudo isso era como não poder respirar ou olhar para o lado. E tenho certeza de que muitos de vocês já passaram, ou passam todos os dias da vida por isso. E não é mesmo nenhuma novidade. É até mesmo clichê.

Mas se há algo de especial nessa situação em encarar o fim, se há algo exclusivamente triste em estar fazendo isso, ainda tão apaixonado, é pensar que construir um espaço libertário pode ser algo individualmente libertador. Tomara que o que vivemos não seja regra, tomara que se sentir aprisionado não seja sempre uma condição infinita para determinar o fim de nossos esforços.

LUCIDEZ. DOR. ALIENAÇÃO. E NISSO SE VÃO OS ANOS…

Ao lutar e resistir a dor de todos os dias da vida, com idéias como arma, você acaba aprendendo a enganar você mesmo. Você começa a sentir que seu coração te coloca contra a parede. Ele te faz repensar em tudo que você acredita, ele faz você perceber o que você não quer ver. E a partir dai cria-se uma guerra dentro de você. Emocional e racional. E mesmo suas ideias sendo fortes demais, elas te traem o tempo inteiro. O inimigo está dentro de você. Parece um jogo. E você depois de muito treinamento consegue enganar seu coração e segue de consciência limpa. Ou pelo menos acha que o enganou. Você sente que está forte e que esta fazendo o que “deve de ser feito”.
E assim, tudo parece seguir normalmente. Por muito tempo nos acostumamos com toda atmosfera, com o estresse, com o andar dos dias, com o tédio de ter que ficar ali trabalhando em algo de ganho tão lento que chega a desanimar. Você guarda os sonhos um a um em gavetas muitas vezes inacessíveis, nós acostumamos com a repetição das imagens, com os carros parados na rua, com as buzinas, com a poluição, com o corre corre, com as contas, com dinheiro, sem dinheiro. E aos poucos vamos banalizando o que há de mais importante em nossa essência. As vezes nós libertários nos enganamos achando que não fazemos parte de tudo isso a nossa volta. E continuamos a seguir em frente normalmente. O que é irônico pois a sensação que sempre vem depois, é de que se o mundo quase nascesse para ser visto assim, sobre nossas lentes críticas e arrogantes.


A vida nessa cultura é assim… Podemos perceber isso em qualquer lugar. Todos nós acabamos enganando a nós mesmos. É simples descrever a vida não é? E vamos nós! Seguindo nosso caminho de alienações cada vez mais sofisticadas.

TODO FIM É UM COMEÇO…

O que precisamos fazer a partir de agora é modificar os espaços e ambientes para melhor, mudar nossas intenções, permitirmos a nós mesmos viver em melhores condições e construir coisas que se mantenham distantes desse sentimento de normalidade, desse conformismo, longe da rotina nuclear e das mesmas expectativas. Nós sabemos que essa decisão nos levará para muito além dos horizontes que podemos enxergar agora. E não podemos negar que temos medo do que acontecerá com nossas vidas, mas sempre acreditamos que “o que arriscamos revela o que valorizamos”. Somente assim poderemos proporcionar maior felicidade para nós mesmos, para, aí sim, transmitir essa felicidade. Nós nos consideramos parte do problema e precisamos agora de algo realmente radical, de um divisor de águas que seja justo com nossas ambições, mas também com nossas vidas. E que isso proporcione algo vivo dentro de nós ou nos enterre para sempre!


O QUE PRECISAMOS FAZER É DESTRUIR PARA CONSTRUIR UMA NOVA BUSCA PELA NOSSA LIBERDADE.

Você já percebeu que a sua felicidade depende da sua liberdade e do respeito pela sua individualidade? Podemos lutar por um novo destino, tanto individualmente como coletivamente. Devemos, hoje, construir qualquer coisa que realmente queiramos ver construída, feita passo a passo por nós mesmos. Devemos desistir das coisas que nos oprimem e começar a recusar tudo que nos é imposto. Ir mudando mesmo que gradativamente nosso estilo de vida e torná-lo cada vez mais independente e sustentável. Precisamos sim mudar o que está a nossa volta, mas mudarmos, cada um a si mesmo, é uma meta crucial para começarmos a acreditar que outros modos de vida são possíveis de se concretizar.
E é aqui, durante esses três dias de atividades, que queremos reunir e inspirar as pessoas para discutirmos essa grande destruição individual. A proposta é darmos um primeiro passo em busca da nossa tão sonhada autonomia. Conhecer nossos próprios desejos, nossas capacidades e vontades é um caminho que nos levará para bem longe desse mundo que conhecemos, criando e recriando nosso próprio potencial pessoal. Vamos precisar aprender coisas difíceis, mudar sentimentos e estar abertxs para novas visões. Mas em uma inspiradora viagem de autoconhecimento, descobriremos tudo aquilo que somos capazes de ser.

PARA ESSES 3 ÚLTIMOS DIAS DO ESPAÇO IMPRÓPRIO, TRAGA SUAS IDEIAS, SEUS CONHECIMENTOS E SUAS INSPIRAÇÕES. AFINAL, E DE UMA VEZ POR TODAS, O MUNDO EM QUE TEMOS QUE VIVER É CONSTRUÍDO PELA VONTADE E ESFORÇO DE TODxS. SEJA BEM VINDX E JUNTE-SE A NÓS!


13 de abr de 2011

A VIRADA CULTURAL VEM AI... O FUTURO DA MUSICA DEPENDE DO PAU BRASIL.. UMA ÁRVORE A BEIRA DA EXTINÇÃO

A VIRADA CULTURAL VEM AI... CHEIA DE METAL E PAULADA AMBIENTAL...


O futuro da música depende do pau-brasil, uma árvore à beira de extinção.




"A ÁRVORE DA MÚSICA"




No site oficial do IBAMA, o pau-brasil é listado como espécie da flora em perigo de extinção. Encontrado apenas na floresta brasileira, o pau-brasil tornou-se vital para o som dos violinos e outros instrumentos de corda desde os tempos de Mozart.

A música de Beethoven, Brahms, Schubert e seus herdeiros musicais não pode ser executada sem o arco moderno, mas os arcos de alta qualidade somente podem ser feitos a partir da madeira de pau-brasil.

A combinação de rigidez, flexibilidade, densidade, beleza e capacidade de manter uma curva fixa são propriedades que fazem do pau-brasil um material de qualidade e som excepcionais para a fabricação de arcos.

Por gerações, a minuciosa arte de confecção de arcos foi passada de mestre para aprendiz e  pode estar chegando ao fim sem as providências necessárias para a preservação da madeira de pau-brasil.

Desde que foi introduzido pela primeira vez há duzentos e cinquenta anos, archetários (luthiers) e músicos de todo o mundo ainda não tiveram conhecimento de uma madeira de qualidade comparável que pudesse substituir o pau-brasil, conhecido no exterior como madeira de pernambuco.

Das matas brasileiras aos maiores teatros da Europa, "Á ARVORE DA MÚSICA" destaca a importância da preservação da natureza através da estreita relação entre natureza e música, num resgate cultural, histórico e ecológico da árvore que deu nome pais.

 O grupo de heavy metal Sepultura e Orquestra Experimental de Repertório com o Maestro Jamil Maluf  estaram juntos nesta Virada Cultural  de 2011 interpretando à arvore da Musica. Desde meados da década de 1700 o pau-brasil tem sido vital para a fabricação de arcos de violinos muitos outros instrumentos de cordas. Ameaçado de extinção, a falta de pau-brasil vai causar um efeito devastador na música.

Inspirado no documentário e livro "A Árvore de Música" por Interface Filmes, o concerto para brasil terá lugar em São Paulo durante a Virada Cultural 2011.

1000 árvores de pau-brasil vão ser plantadas pelo Instituto Brasil Verde, em nome do show.


6 de abr de 2011

ÁGUA VIRTUAL


ÁGUA VIRTUAL



Proteger os recursos hídricos do planeta está virando uma grande batalha ambiental. Ainda bem. Rios poluídos, nascentes secando, consumo perdulário indicam crise na chamada agenda azul. Água é vida.



Cresce a consciência da sociedade sobre a importância da água. Na Europa, especialmente na Espanha e em Portugal, o assunto tornou-se quase uma obsessão. Territórios desertificados, fruto da secular, e insensata, exploração humana da natureza, exigem extrema atenção das políticas públicas. É difícil, e oneroso, recuperar florestas, protetoras da água.



As mudanças de clima trazem novo, e desastroso, componente na oferta hídrica para a humanidade. Muitas nações, com a Índia, dependem das geleiras das montanhas para garantir seu pleno fornecimento hídrico. E elas estão derretendo a olhos vistos. Que o diga o Himalaia.

No Brasil, a gestão dos recursos hídricos se fortalece, mas caminha lentamente. Avançam a proteção dos mananciais e a recuperação da biodiversidade, nas matas ciliares especialmente, mas o passo está curto diante da urgência do problema.



Poucos Estados, São Paulo à frente, fazem realmente funcionar seus comitês de bacia hidrográfica. A Agência Nacional de Águas (ANA), criada no governo de Fernando Henrique Cardoso, perdeu serventia após ser politizada nos esquemas petistas. Uma lástima.

A dramaticidade do tema favoreceu o surgimento de um novo conceito: o da "água virtual". Ele expressa uma contabilidade básica, qual seja, a de determinar a quantidade de água exigida no processo de fabricação de um produto. Isso avalia um custo ambiental.



Uma caneta ou um avião nada apresentam, visivelmente, de úmido. Entretanto, qualquer mercadoria para ser fabricada demanda certo consumo de água, em alguma fase da cadeia produtiva. Na indústria, as caldeiras movem-se pelo vapor, as quais acionam máquinas, derretem metais, moldam plásticos. Móveis inexistiriam sem a seiva das árvores, alimentadas pelas raízes no solo molhado. Por aí segue o raciocínio.



Calculando a quantidade de água necessária, ou melhor, consumida na elaboração dos bens, pode-se comparar a eficiência dos processos produtivos. Vale na indústria como na agricultura, visando à economia do recurso natural. Mais ainda: no comércio internacional, transfere-se água embutida nas mercadorias, elemento que poderia entrar no preço das exportações e importações. A rica teoria encanta ecologistas mundo afora.

Breve pesquisa na internet vai mostrar que o Brasil é o 10.º exportador mundial de "água virtual", num comércio que movimenta cerca de 1,2 trilhão de litros do precioso líquido, disfarçado nas mercadorias, sendo 67% desse volume relacionados com a venda de produtos agrícolas.

Essa é a grandeza planetária da equação.

Números específicos chamam a atenção. Eles indicam que um quilo de carne bovina necessita de 15.500 litros de água para chegar à mesa; um quilo de arroz vale 3 mil litros; uma xícara de café se iguala a 140 litros de água. Surpreende a precisão. Segundo a organização The Nature Conservancy (TNC), uma importante entidade ambientalista, não necessários 10.777 litros de água para fazer uma porção de chocolate, enquanto um carro exige 147.971 litros para ser construído. Conclusão: evite sobremesas e ande de bicicleta para ajudar o equilíbrio da Terra.

Atraente, mas discutível. O cálculo desse fetiche ecológico esconde um perigo, disfarçado por pressupostos, estimativas e arbitragens que o distanciam da matemática, uma ciência exata. Na linguagem popular, chuta-se muito. O grande problema reside na estimativa da quantidade de água embutida nos alimentos. Invariavelmente uma brutal deformação pune a agricultura. Veja o porquê.

Vamos pegar o caso da carne. A conta acima da "água virtual", além do consumo na limpeza das instalações em máquinas, na ração do cocho, na silagem, etc., considera também a quantidade de água que o bicho bebe para ajudar a digestão e viver tranquilo. Acontece que um boi ingere pelo menos 30 litros/dia de água. Ao final de três anos, quando será abatido, terá engolido 32.850 litros apenas para matar a sede.



Preste atenção: incluir tal consumo na conta da "água virtual" somente estaria correto se o boi, ou sua senhora vaca, não fizessem xixi! Acontece que a urina dos animais, do homem inclusive, participa do ciclo da água na natureza, matéria elementar lecionada na quarta série do ensino fundamental. Na escola as crianças aprendem que a água assume formas variadas - gasosa, sólida e líquida - no sistema ecológico do planeta. Assim, recicla-se naturalmente.

Paradoxalmente, o ciclo da água, um dos conceitos fundamentais da ecologia, acabou esquecido pelos proponentes da "água virtual". Um absurdo científico. Dizer que um cafezinho exige 140 litros de água para ser produzido considera o volume de água absorvido pelas raízes da planta, esquecendo simplesmente a evapotranspiração que ocorre em suas folhas, sem a qual inexistiria a fotossíntese. Vale para qualquer alimento.



Em 22 de março se comemora o Dia Mundial da Água. Data para profunda reflexão. A crise ambiental do planeta afeta dramaticamente os recursos hídricos, afetando milhões de pessoas. Essa bandeira ambiental não pode ser desmoralizada por equívocos banais.

É totalmente distinto gastar água nos processos fabris, ou no resfriamento de reatores atômicos, de utilizá-la nos processos biológicos vitais. Igualá-los significa cometer erro crasso, estimulando um festival de bobagens que, no fundo, serve apenas para agredir o mundo rural. E livrar a barra dos setores urbano-industriais.

Na Páscoa coma chocolate sem culpa ambiental. Cuidado, isso sim, com a balança.

Xico Graziano