8 de abr de 2012

“Pode o Brasil Frear o Irã?

O BLOG HARDWORLD APRESENTA A MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL NEW YORK TIMES ... CAN BRAZIL STOP IRAN?



O TEXTO ABAIXO FOI TRADUZIDO, INTERPRETADO , ORGANIZADO E PUBLICADO NO BLOG INDIGNAÇÃO & CIDADANIA...(http://www.indignacaoecidadania.com/2012/04/hipocrisia-nuclearagora-pedem-que-o.html)
quarta-feira, 4 de abril de 2012


A Hipocrisia Nuclear...Agora Pedem que o Brasil Desista de Seu Programa de Enriquecimento de Combustível Nuclear em Nome da Não Proliferação Nuclear

O New York Times divulgou ontem (03/04) um artigo intitulado Can Brazil stop Iran? ( Pode o Brasil Frear o Irã?), que pede a renúncia do Brasil, em nome da não proliferaçao nuclear, ao seu programa de enriquecimento de combustível nuclear.

Para o leitor do blog, o artigo do New York Times se encontra traduzido a seguir (os negritos são nossos, assim como algumas mudanças na redação - sem alterar o sentido - para tornar o texto melhor compreensível em português):

“Pode o Brasil Frear o Irã?
por Bernard Aronson



Publicado em: 03 abril de 2012



Washington

O provérbio usado é que o Brasil é a terra do futuro - e sempre será. Mas quando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff visitar a Casa Branca na próxima semana, ela virá como a líder de um país cujo futuro já chegou.

Com enormes novas descobertas de petróleo offshore e grandes investimentos estrangeiros em sua economia, crescendo duas vezes mais rápido que a América, superou a Grã-Bretanha para se tornar o sétimo maior economia do mundo. Como um membro do Grupo dos 20 e anfitrião da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Brasil é um líder global emergente.

Mas há uma área onde tem a oportunidade de liderar e não conseguiu: evitar a propagação de armas nucleares. O Brasil deve dar o passo corajoso de voluntariamente acabar com seu programa de enriquecimento de urânio e chamar outras nações, inclusive o Irã, a seguir seu exemplo.

O Brasil começou como uma força para a não-proliferação. Ele voluntariamente colocou suas instalações nucleares sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica em 1991 e depois se juntou ao Tratado de Não Proliferação Nuclear. Mas em 2004, o Brasil, que abriga a quinta maior reserva de urânio, também declarou que todos os Estados tinham o "direito inalienável" de enriquecer urânio para "fins pacíficos". Em seguida, construiu uma instalação de enriquecimento e discordou da AIEA por mais de um ano quanto a dar acesso aos inspetores às suas instalações nucleares em áreas mais sensíveis.

O Brasil diz que seu programa de enriquecimento é para fins pacíficos, e não há nenhuma razão para duvidar dela. O “tratado” permite que os que o assinaram possam produzir urânio enriquecido para alimentar reatores comerciais e de pesquisa, armazenar o combustível radioativo e reprocessar o combustível irradiado, enquanto todas as instalações nucleares ficam sujeitas a supervisão da AIEA.

Mas a falha maior é que as mesmas facilidades que permitem que se enriqueça urânio para fins pacíficos também permitem que se possa usá-las para enriquecer urânio a teores mais elevados visando a produção de armas nucleares. E do combustível, a partir do reprocessado pacífico, pode ser gerado ainda plutónio para uso em reatores ou para uso em bombas nucleares. Ao explorar esta "brecha do enriquecimento", a Coreia do Norte desenvolveu um programa secreto para o reprocessamento de combustível irradiado, se retirou do “tratado” e, logo depois, desenvolveu armas nucleares. O Irã está tentando fazer o mesmo.

Dos países que estão operando ou construindo unidades de geração elétrica via uso de energia nuclear ou reatores de pesquisa sob o tratado, mais de 40 também têm a capacidade de construir armas nucleares, explorando essa brecha. Se o Irã desenvolvesse essa capacidade, poderia, como o presidente Obama alertou, exercer pressão inexorável sobre a Arábia Saudita, Egito e Turquia para rapidamente buscarem armas nucleares próprias.

O Brasil detém uma posição única entre as nações em desenvolvimento para lidar com esse perigo de proliferação devido à sua defesa, e ao histórico nacionalista de enriquecimento. Se ele renunciar ao seu direito de enriquecer urânio em nome da paz internacional, fechar suas unidades de enriquecimento, abraçar uma antiga proposta das Nações Unidas para aceitar urânio enriquecido a partir da AIEA, que reprocessaria o combustível irradiado - essencialmente o acordo oferecido ao Irã - e chamar outros países que também assinaram o tratado a fazer o mesmo, isso iria transformar o debate nuclear.


A nova postura brasileira tiraria o principal argumento do Irã, de que os estados avançados possuidores de armas nucleares estão buscando uma forma de "apartheid nuclear", puxando para si o enriquecimento, "ponte" a qual as nações em desenvolvimento têm a oportunidade de cruzar. Também daria ao Irã um caminho, uma alternativa, para se juntar a outros países em desenvolvimento em um novo esforço multilateral e suspender o enriquecimento em vez de parecer ceder as sanções do Ocidente e às ameaças. Finalmente, se o Brasil e outras nações em desenvolvimento, desistirem do enriquecimento nuclear, seria possível fazer um novo esforço concentado internacional para fechar a brecha do enriquecimento de forma permanente, mediante alteração do Tratado de Não Proliferação.

Há obstáculos. Poderosos círculos comerciais e militares têm interesse em continuar o programa do Brasil de enriquecimento, e os nacionalistas brasileiros teriam que ser tranqüilizados. Assim, é vital que o Brasil seja percebido como agindo por conta própria ao invés de ceder à pressão de Washington.

Ainda assim, os Estados Unidos poderiam oferecer incentivos nos bastidores. Obama está estudando propostas para reduzir o arsenal totalmente operacional nuclear da América em 30 por cento ou até mais. Atualmente, o Brasil lidera um grupo de oito estados não-nucleares que estão pressionando as potências nucleares, incluindo os Estados Unidos, a ratificar os seus compromissos via tratados e se mover em direção ao desarmamento nuclear - e se houvesse um avanço nessa frente seria dado substancial crédito ao Brasil. O Congresso e a Casa Branca também poderiam rever a tarifa punitiva sobre o etanol do Brasil à base de cana, o que obriga os americanos ao uso de etanol de milho caro e que eleva o preço global de alimentos.

Renunciar a seus direitos ao enriquecimento iria, do dia para a noite, catapultar o Brasil a uma posição de liderança global sobre o desafio de segurança mais urgente da comunidade internacional. E a liderança do Brasil, inevitavelmente, modelaria o contexto para as discussões futuras sobre ser aceito como membro permanente em um Conselho de Segurança expandido - uma das suas ambições de longa data.

No momento em que o mundo está enfrentando a perspectiva de guerra com o Irã, Dilma tem a oportunidade de fazer uma abertura corajosa para ajudar a resolver a crise, ela deve aproveitá-la.
Bernard Aronson, um gerente de private equity, foi secretário de Estado adjunto para assuntos inter-americanos de 1989 a 1993."

Na opinião de nosso Blog o artigo do New York Times é vexatório. Ele inclui literalmente propostas vergonhosas de barganha econômica, como o citado fim das injustas barreiras comerciais ao etanol brasileiro, até a mais vergonhosa, ainda, barganha descarada em apoiar o pleito do Brasil a um assento permanente da ONU, uma antiga reinvidicação do Brasil, que encontra, justamente na oposição dos Estados Unidos, seu maior entrave.

E por que o Brasil deveria parar o seu avançado programa de enriquecimento nuclear para fins pacíficos? Nossa tecnologia é de ponta e auditada pela AIEA, que tem acesso às áreas aonde ela pode exercer plenamente o poder fiscalizador, de contabilizar a produção do combustível nuclear.

A proposta publicada no New York Times soa totalmente descabida. Ao contrário, o Brasil deve aprimorar, cada vez mais, a sua tecnologia de produção de combustível nuclear, incluindo futuramente o reprocessamento, condição maior para domínio de todo o ciclo de produção nuclear.
Nossa tecnologia nuclear embute um sofisticado conteúdo tecnológico gerador muito mais do que simplesmente enriquecer urânio para uso nas Usinas atuais de Angra e as projetadas para o futuro. Ela embute um programa de construção de uma família de submarinos nucleares para vigilância da nossa plataforma continental, a chamada Amazônia Azul, riquíssima em recursos estratégicos, o mais visível deles o gás e petróleo do pré e pós sal.

A nossa tecnologia nuclear traz todo um programa de produção de radioisótopos que o país ainda é dependente de importação, tanto para o uso em medicina como na agricultura. Aliás, nesse ponto, em breve teremos um moderníssimo reator para produção de radioisótopos para uso medicinal operando em São Paulo.

Além do mais, a pesquisa nuclear é estratégica sobre o aspecto dissuasório. Até por que, é amplamente sabido que o país detém conhecimento e tecnologia para produção de um artefato nuclear. Se não o fez, é por que isso não lhe traria qualquer vantagem no atual cenário. Ao contrário, nos colocaria no olho do furacão e acirraria uma corrida bélica nos mesmos níveis aqui ao lado, na Argentina e Chile.

Esse artigo Can Brasil Stop Iran? Interessa a quem? Interessa a quem quer que sempre nos coloquemos no cenário da economia global somente na posição de fornecedores de produtos agrícolas primários, de commodities de baixo valor agregado. É bom lembrar que no dia-a-dia no comércio mundial de mercadorias, em média, 1 kg de soja custa US$ 0.10 (dez centavos de dólar), 1 kg de automóvel custa US$ 10.00, isto é, 100 vezes mais, 1 kg de aparelho eletrônico custa US$ 100.00, 1 kg de avião custa US$ 1,000.00 (10 mil quilos de soja) e 1 kg de satélite custa US$ 50,000.00.

A proposta embutida no artigo do New York Times é hipócrita. A insegurança nuclear do mundo não está no fato do Irã construir ou não uma bomba nuclear e até poder lançá-la. A insegurança nuclear é gerada por mais de 23 mil artefatos nucleares e mísseis lançadores na mão de menos de dez países, que são Rússia, EUA, China, Reino Unido, França, Israel, Índia, Paquistão e Coréia do Norte (dados de 2009). Por que o New York Times em seu editorial não conclama esses países a desmantelarem completamente seus arsenais nucleares? Por que não se pede para esses países pararem a produção de combustível nuclear para fins bélicos, por que, por exemplo, não se pede ao consórcio URENCO para encerrar as atividades de reprocessamento (produção de plutônio)? Ao contrário, os investimentos nos próximos anos na modernização e letalidade dos arsenais nucleares desses países está a todo vapor. Isso vai gerar muitos bons e numerosos empregos. Aquecer as suas economias.

Fome na áfrica - Um flagelo da humanidade
A Folha on Line divulgou um estudo de Richard Norton Taylor do The Guardian mostrando quanto as potências nucleares planejam investir nos próximos anos para renovação / modernização do seu arsenal nuclear. Os números são estarrecedores e envolvem recursos de mais de US$ 800 bilhões. Como padrão de comparação, o orçamento destinado ao combate à fome pelas Nações Unidades neste exercício (2011) é de US$ 8,2 bilhões, isto é, aproximadamente 10 X menor que o montante em 10 anos – mínimo – que se pretende gastar na modernização do arsenal nuclear ao redor do mundo. É um verdadeiro disparate em um mundo aonde a fome campeia, aonde morrem centenas de milhares de pessoas, de crianças, a cada ano, especialmente nos países pobres da África, que nem sonham em entrar nessa discussão sobre a proliferação ou não nuclear. Que somente lutam pelo mais elementar dos direitos: O Direito à Vida.

A proposta do New York Times é pura doutrina de dominação. Os países nucleares, especialmente os principais, donos dos maiores arsenais nucleares, são hipócritas. Trata-se de um jogo baixo, com viés colonialista, que inclui Israel, que posa de ameaçado, mas que contabiliza em seu arsenal nuclear mais de 200 bombas atômicas e capacidade para lançá-los sobre seus vizinhos
 
WE DON´T NEED NO MORE TROUBLE ...

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