19 de fev de 2011

Na onda verde!!! São Paulo elege seu mascote silvestre e discute diretrizes para projetos ambientais orientados pela SVMA... A População deve entender e participar...

ANIMAL SILVESTRE SÍMBOLO DE SÃO PAULO É REVELADO

A cidade de São Paulo já tem seu animal silvestre símbolo: a onça suçuarana (Puma concolor capricorniensis), também conhecida como onça parda. Ela foi escolhida por 16.689 votos, em um total de 84.140.

De junho a setembro de 2010 os paulistanos participaram da votação online e ajudaram a escolher o animal silvestre símbolo. Os concorrentes, 15 candidatos (escolhidos por técnicos da Divisão de Fauna com a colaboração de professores e pesquisadores do Museu de Zoologia/USP, do Instituto de Biociências/USP, do Instituto Butantã e das ONGs Save-Brasil e Centro de Estudos Ornitológicos), começaram com uma disputa concentrada entre aves, mas a Suçuarana ocupava, semana a semana, a quarta posição. Nas últimas quatro semanas de votação ela começou a subir no ranking e abocanhou a eleição.

VOTOS TOTAIS POR CANDIDATO
CANDIDATO TOTAL DE VOTOS

Papa-vento (Enyalius inheringii) 1448

Rã-de-vidro (Vitreorana uranoscopa) 1850

Perereca-flautinha (Aplastodiscus albosignatus) 2239

Bugio (Alouatta clamitans) 2658

Caracará (Caracara plancus) 2694

Saruê (Didelphis aurita) 2798

Caxinguelê (Guerlinguetus ingrami) 2873

Pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus) 3169

Tico-tico (Zonotrichia capensis) 3292

Beija-flor-tesourão (Eupetomena macroura) 3558

Periquito-rico (Brotogeris tirica) 6793

João-de-barro (Furnarius rufus) 7962

Sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) 12559


Bentevi (Pitangus sulphuratus) 13558

Suçuarana (Puma concolor capricorniensis) 16689

TOTAL DE VOTOS 84140

A onça parda é o maior felino registrado atualmente em São Paulo e o segundo maior do Brasil. Foi encontrada em duas áreas da zona sul: Fazenda Capivari e Parque Estadual da Serra do Mar/Núcleo Curucutu. Trata-se do felino com maior distribuição no continente americano, ocorrendo do Norte do Canadá ao Sul da Argentina e Chile (Terra do Fogo). No Brasil, ocupa todos os tipos de biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Campos Sulinos. Possui grande capacidade de adaptação aos diferentes ambientes e climas.



A suçuarana mede entre 86 cm e 154 cm de cabeça e corpo, e a cauda mede 63cm a 96 cm. Seu peso varia de 29kg a 120 kg, sendo os machos maiores do que as fêmeas. Possui coloração uniforme parda. Tem hábitos solitários, terrestres e noturnos. Alimenta-se principalmente de mamíferos de médio porte, como quatis, catetos, tatus e capivaras, e pode consumir também vertebrados de pequeno porte. Nas áreas rurais, aproxima-se de habitações humanas e alimenta-se de animais de criação. Essa proximidade faz com que seja alvo de perseguição e contribui para a redução de sua população. A espécie é considerada vulnerável no Estado de São Paulo.

As ações e projetos da Prefeitura de São Paulo voltadas à proteção da biodiversidade serão identificadas com a figura estilizada da onça parda, que será também utilizada em atividades de educação ambiental. Foi também desenvolvido um personagem, a Suçu, para trabalhar a questão da biodiversidade junto às escolas.


FAUNA SILVESTRE OBSERVADA PELA DIVISÃO DE FAUNA EM 2010 REGISTRA 700 ESPÉCIES

A listagem é ponto de partida para a elaboração de planos de manejo e de conservação de áreas verdes, sendo importante ferramenta para o monitoramento ambiental. O Inventariamento Faunístico em Áreas Verdes do Município de São Paulo é realizado pela Divisão de Fauna da Secretaria desde 1993.
Dentre os novos registros estão aves florestais com habitat restrito (furnarídeos, tamnofilídeos, tiranídeos e traupídeos), aves de ambientes aquáticos e brejos (saracuras, maçaricos, patos silvestres e o flamingo-chileno), e uma espécie de campo e áreas abertas, o inhambu-chororó. Entre as espécies ameaçadas de extinção destacamos o apuim-de-costas-pretas Touit melanonotus, a sabiá-cica Triclaria malachitacea, a maria-leque Onychorhynchus swainsoni, o pixoxó Sporophila frontalis e a cigarra-verdadeira Sporophila falcirostris, espécies registradas na APA Capivari-Monos, uma das áreas municipais de maior importância para a conservação da ornitofauna paulistana.
As regiões estudadas englobam 81 áreas dentro do Município de São Paulo, incluindo as APAs Capivari-Monos e Bororé-Colônia, Parques Municipais e Estaduais, Parques Lineares e outras Áreas Verdes de interesse. Foram computadas 700 espécies, uma riqueza surpreendente para a cidade mais populosa da América do Sul, condição em que justamente o oposto é o mais esperado. As espécies estão distribuídas em três grupos de invertebrados e cinco grupos de vertebrados.
Dentre os invertebrados estão presentes 137 espécies. Os vertebrados estão representados por 563 espécies; 23 peixes, 45 anfíbios, 40 répteis, 372 aves e 83 mamíferos. Cento e vinte sete espécies de vertebrados são endêmicas da Mata Atlântica, ou seja, são encontrados somente neste bioma. Este número corresponde a 22% do total de vertebrados.
Considerando as espécies ameaçadas no Estado de São Paulo (Decreto Estadual n° 53.494 de 2008), 30 espécies da fauna da cidade estão ameaçadas de extinção, 22 estão quase ameaçadas e 13 apresentam dados insuficientes. Das 23 espécies de peixes, 17 (74%) são nativas e seis (26%) são espécies exóticas introduzidas no Brasil. No grupo dos anfíbios ocorrem 45 espécies, destas 27 (60%) são endêmicas da Mata Atlântica, e uma exótica introduzida.
Foram adicionadas 85 espécies novas ao grupo das aves, o mais estudado em São Paulo, totalizando 372 espécies no município. Destas, 24,5% são endêmicas da Mata Atlântica, 11% constam em algum nível de ameaça das listas estadual, nacional e global e três são exóticas.
Trinta espécies são rapinantes (gaviões, falcões e corujas), exímios predadores de topo da cadeia trófica, 19 são beija-flores e 25 são saíras e sanhaçus, que figuram entre as aves mais coloridas e belas do neotrópico. A família dos papa-moscas (tiranídeos) possui o maior número de representantes, com 51 espécies. Algumas aves são migratórias, visitantes dos hemisférios norte ou sul, como o falcão-peregrino, a águia-pescadora, os maçaricos (Tringa spp.) e o verão (Pyrocephalus rubinus).

Entre os mamíferos estão presentes 12 espécies de marsupiais, conhecidos popularmente como gambás e cuícas, uma preguiça, três tatus, cinco macacos nativos e dois introduzidos, 32 morcegos, quatro felinos, entre eles a onça-parda e a jaguatirica, um cachorro-do-mato, três espécies de mustelídeos (irara, furão e lontra), duas espécies de procionídeos, conhecidos como mão-pelada e quati, uma anta, um porco-do-mato, um veado, um coelho, um esquilo, dois ratos exóticos e seis silvestres, um ouriço, um preá, uma paca, uma capivara e um ratão-do-banhado. Dentre as novas espécies observadas, destacamos o primeiro registro para o município do muriqui-do-sul ou mono-carvoeiro, Brachyteles arachnoides, o maior e um dos mais ameaçados primatas das Américas, que empresta seu nome à APA Capivari-Monos. Este importante registro, juntamente com os do sagui-da-serra-escuro, Callithrix aurita, e o sauá, Callicebus nigrifrons, aumenta a relevância da APA Capivari-Monos como área para a conservação da biodiversidade.

SÃO PAULO E A BIODIVERSIDADE
A Prefeitura de São Paulo participa desde 2007 do projeto denominado Ação Local pela Sustentabilidade (LAB na sigla em inglês para Local Action for Biodiversity), projeto liderado pelo ICLEI (Governo Locais pela Sustentabilidade) Seção África do Sul, que tem por objetivo coordenar os esforços das cidades para a proteção da biodiversidade.
Dentre outras importantes atividades as cidades participantes prepararam seus respectivos Relatórios de Biodiversidade, com diagnóstico de situação e iniciativas desenvolvidas neste campo.
Por ocasião das Conferências da ONU para a biodiversidade em Curitiba, Bonn e Nagoya, foram organizadas conferências paralelas das cidades que contaram com ativa participação de São Paulo, ocasiões em que as experiências e programas da cidade foram apresentados e submetidos à apreciação das demais organizações presentes.
A 10a. Conferência de Biodiversidade da ONU reconheceu o esforço e a necessidade de participação ativa das cidades no plano mundial de proteção da biodiversidade, adotando resolução proposta pelo Encontro das Cidades pela Biodiversidade, que ocorreu em Nagoya no mês de outubro, simultaneamente à Conferência das Partes.
No momento está em desenvolvimento por SVMA a proposta de "Programa Municipal de Proteção da Biodiversidade", que será compartilhado em seguida com as demais secretarias e organizações interessadas no assunto.

A escolha do animal silvestre símbolo da cidade é parte das atividades promovidas em 2010, definido pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Biodiversidade.
A Secretaria do Verde lançou este ano a segunda edição do Guia dos Parques Municipais de São Paulo, contendo informações sobre estas áreas protegidas que abrigam nossa fauna silvestre. Foi realizada a quinta edição do Concurso de Fotografia Árvores da Cidade de São Paulo, realizado anualmente em parceria com a Secretaria do Verde e a Porto Seguro. As 100 melhores fotos selecionadas nos cinco anos de concurso foram transformadas no livro Árvores da Cidade de São Paulo: 100 fotos em cinco anos de concurso.

Também está sendo lançada hoje a cartilha Bugio na Mata – a natureza agradece, material educativo e de divulgação do projeto Manejo e Conservação do Bugio na Região Metropolitana de São Paulo: aprimorando o programa de reintrodução¸ trabalho da Divisão de Fauna Silvestre da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.
Em 2010 a Secretaria do Verde também promoveu a exposição A Cidade de São Paulo e o ano da Biodiversidade, retratando de forma ligeira, através de painéis fotográficos, as ações e projetos realizados pela Secretaria para preservar nossa biodiversidade. Foi criado em 2010 o selo Cidade de São Paulo no Ano da Biodiversidade.

A terceira edição do Seminário de Áreas Verdes, promovido pela Secretaria, teve como tema este ano Biodiversidade e Sustentabilidade: experiências, planos e ações. O objetivo do seminário é promover a troca de experiências entre os diversos agentes que atuam em ambientes naturais preservados ou implantados.


PROTEGENDO A BIODIVERSIDADE PAULISTANA
A Divisão de Fauna, localizada no Parque Ibirapuera, presta atendimento à fauna silvestre do Município de São Paulo e também da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O serviço foi criado oficialmente pela Lei No 11.426 de 18/10/93 (São Paulo, 1993), a mesma que criou a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) neste mesmo ano. Em 1996, sua estrutura foi ampliada com a implantação dos Centros de Triagem (CETAS) e de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), ambos no Parque Anhanguera — Lei No 12.055 de 09/05/1996 (São Paulo, 1996) —, regulamentada pelo decreto 37.653 de 25/09/98). Atualmente, a Divisão conta com 40 técnicos de nível superior (veterinários e biólogos), 20 servidores de apoio e 12 funcionários operacionais de empresa terceirizada (auxiliares de limpeza e tratadores).
As principais atribuições da Divisão de Fauna são: assistência médico-veterinária, clínica e cirúrgica, com suporte laboratorial; manejo dos animais do acervo municipal; vigilância ambiental e epidemiológica nos Parques Municipais; reabilitação da fauna com vistas à vida livre; destinação dos animais silvestres recebidos, para soltura ou cativeiro; levantamento faunístico em Parques Municipais e áreas verdes significativas (São Paulo, 1998), que subsidiam estudos sobre a biodiversidade; anilhamento da avifauna para monitoramento das solturas; gerenciamento de dados sobre a fauna recebida; produção de mapas georreferenciados; elaboração de pareceres para fins de EIA/RIMA, como no caso do Rodoanel Mário Covas, trechos Oeste e Sul; desenvolvimento de campanhas informativas; visitas técnicas monitoradas, cursos e publicações; atendimento e orientação sobre ocorrências com a fauna.

A Divisão recebe em média 250 animais silvestres por mês, com pico nos meses de setembro, outubro e novembro, quando o número de animais chega a dez por dia. Entre 1992 e 31 de outubro de 2010, foram cadastrados 41.827 animais silvestres, dos quais 17.542 foram soltos em áreas de procedência ou ocorrência, ou seja, cerca de 48% dos animais atendidos tiveram como destino a volta ao seu ambiente natural.

Entre os projetos em andamento, destacam-se o Projeto Manejo e Conservação de Bugio Alouatta guariba clamitans na Região Metropolitana de São Paulo: aprimorando o programa de reintrodução; Levantamento de Grandes e Médios Mamíferos no Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Curucutu; Projeto de Monitoramento de Aves no Município de São Paulo e Região Metropolitana.
Em dezembro de 2009 a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente publicou a portaria de nº 154 com a finalidade de regulamentar as ações destinadas ao controle de espécies vegetais exóticas invasoras, que podem produzir danos à biodiversidade local. A portaria estabelece que qualquer interessado em erradicar espécies invasoras pode apresentar um plano de manejo, baseado em um estudo ambiental, demonstrando as etapas de controle e erradicação das espécies invasoras. Após a execução do plano, ocorre a recuperação ambiental da área impactada, visando restabelecer as funções ecossistêmicas naturais perdidas com a invasão.

O Programa de Arborização Municipal também tem priorizado a biodiversidade ao definir espécies predominantemente nativas nos plantios. O Programa tem ampliado o plantio nas diversas regiões da cidade. De 2005 a 2009 foram plantadas novas 767.532 novas árvores.


Criação de unidades de conservação

A Secretaria do Verde tem investido na transformação de grandes áreas de maciços vegetais em unidades de conservação de proteção integral. Já foram criados os parques naturais Cratera de Colônia (extremo-sul, dentro da Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos) e Fazenda do Carmo, na zona leste.

Outros quatro parques naturais estão em implantação na região sul, na área da APA Capivari-Monos, como compensação pela implantação do trecho sul do Rodoanel: Jaceguava, Bororé, Varginha e Itaim. Estão em processo de criação também o Parque Natural Nascentes do Aricanduva (2.500.000,00 m²), cuja área está em processo de aquisição, e o Parque Natural do Iguatemi (303.372 m²) cuja área é da CDHU, ambos na zona leste, além do Parque Nascentes do Ribeirão Colônia (676.143,46 m²) que fica em uma área comprada pela SABESP, localizado na região sul, e será gerida através de parceria das Secretarias Municipais do Verde e de Esportes.


Além disso, o Programa 100 Parques para São Paulo tem reservado áreas e implantado parques, entre tradicionais e lineares, proporcionando local para fauna e flora se desenvolverem de maneira protegida. Em 2005 havia 34 parques municipais e hoje já são 73, alguns destes em fase de contração de manutenção e segurança. Em 2012 serão 100 parques.

Na borda da Cantareira, zona norte, estão em desapropriação dez milhões de m² para implantação de novos parques. São parques lineares e tradicionais, com a finalidade de criar zonas de amortecimento e proteção do Parque Estadual da Serra da Cantareira.

As Áreas de Proteção Ambiental Capivari-Monos (criada em 2001) e Bororé-Colônia (criada em 2006) são um tipo de unidade de conservação em que as terras podem ser públicas ou privadas e não acontecem desapropriações para sua criação. São gerenciadas por Conselhos Gestores que têm como atribuição a proposição de programas, projetos, planos e ações que garantam a proteção de seus recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes. Sua criação já é um grande passo no sentido de promover a proteção dos recursos naturais em seu território. A Secretaria do Verde vem avançando no sentido de adquirir áreas em seus territórios para torná-las de proteção integral, garantindo o habitat para a fauna e a flora manterem sua biodiversidade.

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