23 de out de 2010

Dúvida em Seul !!! G20 faz acordo sobre política monetária e reforma do FMI... Por que Guido Mantega Não Compareceu ao encontro???


Por Cláudia Trevisan, estadao.com.br, Atualizado: 23/10/2010 0:25


Dúvida em Seul: por que Mantega não veio?
'Por que o ministro da Fazenda do Brasil não veio?' Era a pergunta que todos os jornalistas que cobrem a reunião do G-20 faziam ontem sempre que 'Brasil' vinha à tona. Afinal, Guido Mantega ganhou projeção internacional como a primeira autoridade a falar abertamente sobre uma guerra cambial em escala global, justamente o tema central d encontro que termina hoje.
A ausência de Mantega deu margem a especulações que foram do descontentamento com a atuação do G-20 à suposta decisão do Brasil de traçar um caminho independente na questão do câmbio.

As teorias conspiratórias ganharam ainda mais força em razão do fato de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também não foi ao encontro encontro, que tem a missão de preparar a agenda da cúpula dos líderes do G-20 marcada para o próximo mês em Seul.

Coluna publicada pelo Financial Times na quarta-feira sugeriu que a ausência de Mantega se deve à perda de confiança do Brasil no G-20, algo improvável dado o esforço do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em ampliar a participação do país em organismos internacionais.
'Se um fórum não pode persuadir o Brasil de que tem credibilidade, ele terá problemas em convencer os demais', escreveu Alan Beattie, um dos editores do jornal britânico.
IOF e Copom. Oficialmente, Mantega deixou de ir à Coreia para acompanhar de perto o impacto da elevação de 4% para 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos investimentos estrangeiros em renda fixa, medida que tem por objetivo conter a apreciação do real em relação ao dólar.
Meirelles decidiu permanecer no Brasil para participar da reunião do Comitê de Política Monetária que decidiu manter os juros inalterados em 10,75%.

O Ministério da Fazenda rebateu as especulações na imprensa internacional de que o ministro Guido Mantega esvaziou a reunião do G-20 por descontentamento com a ação do grupo e as dificuldades de fazer uma ação coordenada entre os países para enfrentar a guerra cambial./ COLABOROU ADRIANA FERNANDES


Por Reuters, reuters.com, Atualizado: 23/10/2010 10:07


G20 faz acordo sobre política monetária e reforma do FMI

Por Fiona Shaikh e Langi Chiang

GYEONGJU, Coreia do Sul (Reuters) - Os países que compõem o G20 chegaram a um acordo no sábado para deter as desvalorizações competitivas de moedas, embora não tenham conseguido um consenso sobre uma linguagem mais firme que poderia ter estimulado o dólar.

Durante uma reunião na Coreia do Sul, a crescente influência das grandes nações emergentes foi reconhecida em um surpreendente pacto para dar-lhes maior participação no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os esforços dos Estados Unidos para limitar os atuais desequilíbrios das contas correntes a 4 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), uma medida que apontava diretamente ao superávit da China, encontraram resistência em várias nações.

Os membros do G20 se comprometeram em um comunicado a "regular as desvalorizações competitivas de suas moedas", enquanto as nações em desenvolvimento prometeram reduzir seus déficits orçamentários ao longo do tempo e tomar ações para controlar os desequilíbrios das contas correntes.

"Para que o mundo possa crescer a um ritmo forte e sólido no futuro... precisamos trabalhar para conquistar um maior equilíbrio no caminho da expansão global enquanto nos recuperamos da crise", disse o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner.

As propostas dos Estados Unidos para regular os desequilíbrios das contas correntes acontecem enquanto Pequim acumulou 2,65 trilhões de dólares em reservas de moeda oficial como consequência de seu enorme superávit comercial, o que levou a Câmara dos Deputados norte-americana a aprovar uma lei que ameaça retaliações a menos que a China permita o fortalecimento de sua moeda.

Autoridades chinesas não fizeram comentários sobre a disputa, mas uma fonte do G20 disse que Pequim era contra qualquer comunicado que comprometesse explicitamente os países a limitar seus balanços de conta corrente ou com qualquer outro regulamento sobre política monetária.

As tensões que no encontro levaram Japão e China a rebater as propostas norte-americanas continuaram até depois do fim da cúpula.
A Alemanha disse que havia críticas à política norte-americana de injetar dinheiro no sistema bancário que terminou chegando a economias emergentes como o Brasil, causando bolhas nos preços dos ativos.

"Tentei deixar claro em minha contribuição a discussão que considero (o relaxamento) uma forma errada de atuar", disse o ministro alemão de Economia, Rainer Bruederle.

"Um excessivo e permanente incremento no dinheiro (injeção de fundos) é, sob meu ponto de vista, uma manipulação indireta da taxa (de câmbio)", afirmou.

Contudo, a Coreia do Sul foi mais otimista sobre o resultado da reunião e disse que o G20 estava ajudando a acabar com a incerteza dos mercados.
"Isso terminará com a controvérsia pela taxa de câmbio", afirmou o ministro sul-coreano de Finanças, Yoon Jeung-hyun.
MAIS PARTICIPAÇÃO NO FMI
O acordo de reforma do FMI foi descrito como um momento "histórico" pelo diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn, o que levará aos europeus entregar duas vagas no conselho de direção e 6 por cento a mais de poder de votação às nações emergentes.

"Esta é a maior reforma já realizada na direção da instituição", afirmou a jornalistas Strauss-Kahn, quem está no comando do organismo de 187 países.
O acordo transformará a China no terceiro integrante mais poderoso do FMI, superando potências tradicionais como Alemanha, França e Itália. A Índia passará do 11o ao oitavo lugar.
"Nossa demanda era de que a cota de participação deveria refletir a realidade e as fortalezas econômicas atuais, (caso contrário) teria danificado a credibilidade da instituição. Isso está sendo corrigido agora", disse o ministro de Finanças indiano, Pranab Mukherjee.

O G20 decidiu há um ano entregar ao menos 5 por cento dos direitos de votação a nações em desenvolvimento como Índia e Brasil, cujo peso dentro do FMI não estava de acordo com seu ritmo de desenvolvimento.

(Reportagem adicional de Louise Egan, Daniel Flynn, Yoo Choonsik, Gernot Heller e Tetsushi Kajimoto)

Fontes: Reuters e o Estadão on line

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