12 de set de 2010

SOS PARQUE DA ÁGUA BRANCA Obras desrespeitam as características ambientais no Parque da Água Branca.

SOS PARQUE DA ÁGUA BRANCA - Carta Pública



Obras desrespeitam as características ambientais no Parque da Água Branca.
Setembro de 2010
Os frequentadores do Parque da Água Branca estão sendo surpreendidos com intervenções na vegetação e nos espaços edificados. A explicação para estas intervenções começaram a aparecer na imprensa, após as reclamações dos frequentadores sobre a descaracterização do Parque.
Foi amplamente noticiado que a Presidente do Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado, Sra. Deuzeni Goldman, que assumiu este cargo em abril deste ano, com a posse do seu marido como governador, quer deixar uma marca na sua gestão e fazer melhorias no Parque, onde fica a sede da instituição que preside. A depender da fonte, uma verba de 5 a 12 milhões de reais será utilizada em contratos emergenciais para a realização de projetos antigos de reparos, manutenção e prevenção e outros sugeridos pela Sra. Deuseni. E segundo alguns funcionários do Fundo, esta verba deve ser utilizada até novembro deste ano, caso contrário, deverá ser devolvida aos cofres da Fazenda do Estado.

O tempo disponível para elaboração/revisão de projetos, orçamentos e concorrências públicas (pelo menos duas obras ultrapassam um milhão de reais, de acordo com as placas afixadas) é extremamente curto, quase impossível de ser cumprido em se tratando da esfera pública. Com o argumento de obras emergenciais, que dispensam licitações, várias intervenções foram ou estão previstas de serem realizadas sem que os projetos e detalhamentos tenham sido apresentados e debatidos com o Conselho Consultivo do Parque, onde a Associação dos Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca tem assento, ou mesmo tenham sido apresentadas previamente e publicamente, em respeito aos assíduos frequentadores.

O Parque da Água Branca tem uma característica singular, que o difere de todos os outros parques da capital, que é justamente a paisagem rural, meio mata (floresta urbana), meio fazenda. Com nascentes, frondosas árvores e belos e agradáveis jardins que se desenvolveram naturalmente. Com muitas aves soltas e alguns mamíferos convivendo livremente há anos com os frequentadores. Caracteristica tão importante para o patrimônio ambiental, cultural e histórico da cidade que em 1996 o Parque foi tombado pelo CONDEPHAAT, que determina que a paisagem DEVE ser preservada, juntamente com os prédios.
Por todos esses motivos, dezenas de frequentadores estão se mobilizando e questionando as intervenções realizadas pelos gestores do Parque – uma gama tão grande de obras e propostas está levando em conta que se deve preservar esta as caracteristicas singulares? Existe um plano de manejo ambiental? Todas as obras e intervenções são realmente emergenciais? Porque a população que frequenta e muitas vezes assume o cuidado com o Parque devido a omissão de serviços dos gestores públicos não foi consultada previamente?

A Associação Amigos do Parque solicitou reuniões para esclarecimentos aos gestores do Parque e finalmente em agosto, três reuniões públicas foram realizadas, com a presença do Diretor, técnicos (engenheiros agrônomo e florestal doInstituto Florestal ) da Secretaria de Agricultura e frequentadores. Nestas reuniões foram apresentadas informações a respeito das várias intervenções.

Nas discussões realizadas, os frequentadores do Parque externaram que as obras de recuperação e manutenção há muito tempo eram necessárias e são bem vindas, mas há uma grande preocupação com as intervenções que possam causar a descaracterização do Parque. Ficou evidente que:

* Os projetos não conversam entre si e não existe um plano geral de manejo ambiental.

 
* Há uma clara divergência entre os conceitos de Parque que orientam as propostas dos técnicos e a defendida pelos frequentadores. Não está evidenciada nas propostas dos técnicos a preservação das atuais características do parque que são um patrimônio histórico, cultural, paisagístico e ambiental da população de São Paulo.
* Existe uma grande influência da Presidente do Fundo na administração e intervenções propostas para o Parque.
* Não há interesse dos gestores do Parque em construir as propostas com os frequentadores.

Mais grave ainda são as alterações que influenciarão diretamente no equilíbrio do ecossistema do parque, com graves consequências para a fauna e a flora, como a implantação de iluminação noturna para manter o Parque aberto até as 22h, retirada de vegetação, aproximação do público às nascentes, redução e aprisionamento das aves e muitas obras acontecendo ao mesmo tempo. Estas intervenções já estão afugentando as aves dos seus locais, sem que uma alternativa de cuidado tenha sido criada.
* Qual será o impacto de todas essas intervenções para a fauna e flora a curto, médio e longo prazos? Foi feito um estudo sobre isso?

* O que justifica a retirada de vegetação? Porque cobrir a terra com pisos e pedriscos? Porque aprisionar as aves?
* Qual é a garantia de manutenção futura do Parque? Haverá recursos financeiros e pessoal técnico especializado – agrônomos, jardineiros, veterinários – para a boa gestão e manutenção? Qual a garantia de que o Parque não ficará a mercê da descontinuidade das mudanças políticas e a cada novo gestor, novas alterações? Afinal esta é a 4ª revitalização nos últimos 14 anos e ficamos os últimos 6 anos sem jardineiros no parque!





Os amigos e frequentadores do Parque estão organizados e realizando várias ações para reverter essa situação.

Informações, documentos, decretos, fotos e manifestações estão sendo postados nos seguintes blogs:

www.parquedaaguabranca.blogspot.com

www.amigosdoparquedaaguabranca.blogspot.com ( blog oficial da ASSAMAPAB)





Somos favoráveis à revitalização e manutenção do Parque da Água Branca desde que as ações e projetos sejam sustentáveis, respeitem a natureza e a característica rural e de educação ambiental do Parque da Água Branca.





Exigimos que:

 As obras e ações interventoras que estão sendo realizadas no Parque da Água Branca sejam imediatamente suspensas até que, de fato, sejam devidamente comprovados por meio de laudos técnicos, que não haverá impactos ambientais e descaracterização do Parque, sob pena de serem irreversíveis as medidas futuras a serem adotadas

 Que as áreas das nascentes sejam protegidas e de acesso restrito

 Que sempre seja garantida a integridade dos animais que vivem no Parque

 Os amigos e frequentadores do Parque participem efetivamente das decisões que o afetam



Participe, divulgue, deixe seu comentário.
Um abraço.

Próximas reuniões de freqüentadores: 11,18 e 25 de setembro, sábados, às 11hs , na sede da assamapab




Um pouco da História do Parque
Mais conhecido como Parque da Água Branca, o Parque “Dr. Fernando Costa” começou a ser implantado em 1928, com a permuta entre o Estado e a Prefeitura de São Paulo da área denominada “Invernada do Corpo de Bombeiros” (hoje Parque do Ibirapuera), com um terreno localizado na ainda poeirenta avenida Água Branca.

Pertencente à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, o Parque foi inaugurado em 2 de junho de 1929 pelo governador Júlio Prestes de Albuquerque, para ser a sede do Departamento de Indústria Animal, um recinto de exposições e de provas zootécnicas.

Contava com várias seções: de Veterinária, Defesa Sanitária Animal, Caça e Pesca e Produção Animal, dentre outras. Tanques de peixes, um pequeno zoológico e um caramanchão formavam uma área especial de lazer.

Em 1950, em homenagem ao seu idealizador, passou a se chamar Parque “Dr. Fernando Costa”.

Vinte e cinco anos depois, ocorreu a transferência do Instituto de Zootecnia, antigo Departamento de Produção Animal, para a Fazenda Experimental de Nova Odessa, no interior do Estado.

A partir de 1979, as grandes exposições de gado foram definitivamente transferidas para o Recinto de Exposições da Água Funda, hoje Centro de Exposições Imigrantes. No entanto, a vocação original (a preocupação com o desenvolvimento das pesquisas agropecuárias e com o lazer) manteve-se por meio dos trabalhos desenvolvidos pelos institutos, associações e entidades ali instalados.

Novas demandas sociais trouxeram outras atividades, como programas com a terceira idade e portadores de deficiências, educação para uso sustentável dos recursos naturais, dentre outros.

Hoje o Parque recebe um público composto não apenas por moradores do entorno, como também de diversas regiões da Capital, que ali praticam atividades físicas, participam de cursos e se deliciam com a paisagem e o caráter rural que inspira a área.

Fonte: ASSAMAPAB
http://amigosdoparqueaguabranca.blogspot.com/2010/09/o-parque-que-queremos.html

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