20 de jan de 2009

THE BRAZILIAN SUMMER TIMES -










Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água datorneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca. Verão é prisãode ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis. Mas oprincipal ponto do verão é.. a praia! Ah, como é bela a praia.
Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.
Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias. Osjovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a pranchapra abrir a cabeça dos banhistas. O melhor programa pra quem vai à praiaé chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e asfamílias estão chegando. Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vintecadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango,farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão deférias. Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados,besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia. E as crianças? Ah, quegracinhas!
Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por umaconchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem. Asmulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado ecaminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo. Já oshomens ficam com as tarefas mais chatas, como perfurar o poço pra fincar ocabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer oguarda-sol ficar em pé. Mas tudo isso não conta, diante da alegria, dafelicidade, da maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina,que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensaçãode boiar na salmoura como um pepino em conserva.
Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquitacheia de areia, vem aquela vontade de fritar na chapa. A gente abre aesteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculosescuros e puxa um ronco bacaninha. Isso é paz, isso é amor, isso é oabsurdo do calor!!!!! Mas, claro, tudo tem seu lado bom. E à noite o solvai embora.
Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho edeixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O Shampoo acaba e a genteacaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear atédesinfetante de privada. As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só acasa da praia oferece. Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e umadormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costasqueimadas. O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga emfamília. Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha etorcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa seencontrar no mesmo inferno tropical. Qualquer semelhança com a vida real,é uma mera coincidência.
(Luis Fernando Veríssimo)














































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